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Entrevista |
Depoimento:
O Ourives JOIASdoBRASILcom conversou com Sebastião de Oliveira Por José Pedro de Souza Meirelles |
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Leia:
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Sebastião de Oliveira, em 1947 tornou-se aprendiz de ourives em uma oficina no imponente Edificio Martinelli no centro de São Paulo. No prédio além de inúmeras oficinas, havia o Hotel São Bento. Era uma cidade vertical e apesar do movimento podiam trabalhar com as portas abertas. Roubo não era motivo de preocupação. A grande joalheria na época era a Antuérpia no centro. Havia poucos fornecedores de ouro, um de pedra na Praça Clovis, onde todos iam. Anel de formatura era obrigatório e só na Fiorelli eram encontrados os emblemas das profissões. Assim era a década em que começou no ramo o jovem Sebastião que tem muita história para contar. Deixou um pouco delas nesta conversa. Design: É comum Sebastião ver peças "modernas", lançamentos de novidades feitas por máquinas, que ele já fez há mão, muitos anos atrás. As coisas sempre voltam.... O freguês trazia a peça a ser copiada, ou uma reprodução. Geralmente da França. A liga do ouro tinha uma porcentagem maior de cobre, para ficar vermelho, moda da época. Quando aparecia um novo serviço, geralmente ele se espalhava pelas oficinas e logo todos faziam os mesmos modelos. Um bastão que atravessava a gola das blusas das senhoras, ou uma espada, eram feitas as centenas. Broches e fechos para colares e pulseiras de pérola estavam sempre sendo produzidos. Caixas e mais caixas de relógios. As jóias tinham muito trabalho de filete e inclusão de ouro branco. Eram usados diamantes, pedras de cor e pérolas, muitas pérolas. Ferramentas: A mais usada era a serra, para inúmeros recortes que a moda pedia. O trápano era a ferramente para furar e consistia de uma travessa de madeira, presa num cordão que ao mover-se para cima e para baixo, girava a ponta, fazendo o furo. O maçarico era à gasolina ou benzina, com fole no pé para ativar a chama. Correntes tipo corda, eram feita uma a uma com fio 0,40 e soldadas por jovens com "bons olhos". A fundição, pouco usada, era em conquilha e não em cera perdida. Dava baixa produção. Por volta da década de 70 / 80 o design exclusivo aparecia e pagava-se 20 dólares por um desenho. Era o tempo de fazer a peça para vê-la copiada em seguida. Sebastião, que formou muitos outros jovens, ensinando o ofício, olha com tristeza os que agora começam a trabalhar e só fazem uma parte do trabalho, numa longa linha de montagem de uma jóia. Tem conhecimento espeçifico e não do conjunto. Isso acaba com a figura do ourives. Depois de ter sua própria indústria de jóias e passar por inúmeras etapas de trabalho no setor joalheiro, hoje Sebastião trabalha em casa. Tem especial prazer em desenvolver jóias que usem os seus inúmeros conhecimentos. Aceita encomendas. Sebastião começou varrendo o chão e andando pela cidade com ouro nos bolsos, fazendo entregas e compras. Na oficina trabalhava mestre Rafael Pinto da Gama, um português. Era especialista em caixas de relógio e fazia cortes sem precisar marcar os círculos. As vezes chamava Sebastião e dizia: Ô menino! Senta aqui pra aprender alguma coisa ! Assim formou-se um ourives. |
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