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VIRGINIA:
O Design de Jóias passa por um momento de reflexão
de valores, que acompanham a joalheria desde os tempos de Brasil Colônia.
Hoje os designers encontram na grande diversidade brasileira materiais
alternativos, madeiras, sementes, fibras naturais. Como o você vê
a
participação do design de jóias nesse processo já iniciado com os
designers de outros produtos?
MARIA HELENA: O design de jóias pode contribuir para a valorização
dos
produtos brasileiros e, no nosso caso específico, das madeiras.
Com este propósito, o de valorizar as madeiras brasileiras,
já trouxemos a Brasília uma exposição das jóias do designer Pepe Torras,
do Rio de Janeiro. Temos também acompanhado o seu e outros trabalhos
realizados com madeiras brasileiras, inclusive os trabalhos apresentados
no Concurso Design de JOIASdoBRASIL.com.
VIRGINIA: O que significa a expressão "madeira certificada",
como ela recebe esta
aprovação para o uso?
MARIA HELENA: Certificação é voluntária e é realizada por organismos
independentes que estabelecem critérios baseados, geralmente, nos
conceitos de
sustentabilidade ou seja: ecologicamente correto, socialmente justo
e economicamente
viável. No Brasil, o organismo mais conhecido é o FSC (Conselho de
Manejo Florestal)
mas o Brasil já está oficializando seus critérios de certificação
florestal denominados
CERFLOR. A madeira certificada é a madeira proveniente de áreas submetidas
a uma
auditoria por estes organismos certificadores. Se a área estiver sendo
manejada segundo
os critérios estabelecidos pelo certificador, a empresa recebe autorização
para colocar
o selo de origem em suas madeiras. Se for certificada pelo Conselho
de Manejo Florestal
recebe o selo FSC, se for certificada pelo CERFLOR recebe o selo CERFLOR
VIRGINIA O Ibama organiza e apóia várias iniciativas com o objetivo
de divulgar
as madeiras para industrias de móveis. Há algum projeto para o design
de jóias?
MARIA HELENA: Estamos agora trabalhando com madeiras para instrumentos
musicais
e há a possibilidade de trabalharmos em um projeto de madeiras
para cutelaria e também madeiras para cachaça (tonéis).
Não estamos com nenhum projeto para jóias, mas não descartamos
esta possibilidade.
VIRGINIA:Como você vê o uso por nossos designers de sobras de madeira
das industrias, transformando lascas e resto de pé de mesa em jóias?
MARIA HELENA:Penso que esta é a ordem natural das coisas quando
queremos ser racionais no aproveitamento dos recursos naturais.
E o que mais impressiona é a qualidade do trabalho daí proveniente
e o valor agregado aos produtos.
Maria Helena de Souza é formada em engenharia florestal pela
Universidade de Brasília. Especialização da França e Holanda
em madeira para móveis e em classificação de madeira em usos
finais, respectivamente. Trabalha no Laboratório de Produtos Florestais
do Ibama onde desenvolve projetos visando a valorização das madeiras
da Amazônia para móveis, jóias,instrumentos musicais e outros produtos
de maior valor agregado.
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