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Gostaria de ver o assunto tratado nos
e-mails abaixo sendo discutido pelos designers brasileiros.
Seria possível incluir no forum de discussão do site Jóias do Brasil?
Remeti esta correspondência ao próprio IBGM em 27/03.
Obtive uma resposta insipiente...
Gostaria que, se possível, essa correspondência fosse disponibilizado para
todos.
Muito obrigada.
Atenciosamente,
Lenise MunizLenise.muniz@ig.com.br
wrote:
Olá Cris!
Tenho recebido seus e-mails e admirado seu trabalho. Gostaria de conhecer sua opinião
sobre o assunto da correspondencia abaixo.
Um abraço,
Lenise Maria Dias Muniz]
> > ----- Original Message -----
> > From: <lenise.muniz@ig.com.br>
> > To: <ajomig@fiemg.com.br>; <premioibgm@ibgm.com.br>;
<posdesign@uemg.br>
> > Sent: Wednesday, March 27, 2002 4:00 PM
> > Subject: RES: Concurso IBGM design de jóias 2002
Prezados Senhores,
O fato do prêmio prever uma única etapa, tendo como participantes as jóias
prontas, não estará excluindo do concurso muitas participações, as quais podem ser
extremamente valiosas e criativas? Em um um concurso nacional, que tem por objetivo
"incentivar o consumo de gemas e metais preciosos do Brasil", é coerente ter
também por objetivo "valorizar o uso das pérolas" ?
Atenciosamente, Lenise Muniz> > ----- Mensagem original -----
> > De: Premio IBGM [SMTP:premioibgm@ibgm.com.br]
> > Enviada em: Sexta-feira, 19 de Abril de 2002 09:56
> > Para: lenise.muniz@ig.com.br
> > Assunto: Re: Concurso IBGM design de jóias 2002
Prezada Lenise,
Com relação a participação dos designers, a intenção não é a de impedir a
participação de alguns. Na verdade, só não dividimos em duas etapas. Mas, de
qualquer forma a etapa de desenhos continua. Tomamos essa atitude pois, percebemos nos
últimos anos que há uma grande dificuldade para confeccionar muitas peças
apresentadas inicialmente como desenhos, inviabilizando a sua execução por serem
muito complexos. Por isso, estamos sempre modificando a estrutura do Prêmio; para
obtermos os melhores resultados possíveis.
Em resposta a sua segunda pergunta, gostaria de fazer alguns esclarecimentos: a Pérola é
uma gema de origem orgânica, que se produzida pela natureza com intervenção parcial do
homem é chamada de Pérola Cultivada. A diferença básica entre essa gema e as gemas de
cor é que, aquela é orgânica e estas são minerais, mas ambas são gemas. Se tiver mais
alguma dúvida pode entrar em contato.
Atenciosamente,
Clarisse Loureiro.
> > --- Mensagem original
-----
> > De: Lenise Maria Dias Muniz
> > Enviada em: Sexta-feira, 19 de Abril de 2002 16:36
> > Para: 'Premio IBGM'
> > Cc: 'ajomig@fiemg.com.br'
> > Assunto: RES: Concurso IBGM design de jóias 2002
Prezada Clarisse, muito obrigada por responder.
Pela resposta percebi que a interpretação que o IBGM deu as minhas questões não foram
corretas.
Não me considerando satisfeita gostaria de merecer novamente sua atenção para o que
escrevo a seguir.
Meus questionamentos tiveram dois fundamentos:
- enviar a peça pronta para o concurso tem um custo que a maioria dos designers
não têm condições de arcar.
- pérolas não são gemas característicamente brasileiras, e é objetivo do concurso
"incentivar o consumo de gemas e metais preciosos do Brasil"
Daí as perguntas:
- O IBGM tem idéia de quantos designers estarão impossibilitados de participar?
Estudantes, novos profissionais, profissionais experientes que não conseguem um
patrocínio, pequenas empresas, artistas ... podem ser grandes talentos ...
- Incentivar pérolas em um concurso nacional em conjunto com incentivo a gemas
genuinamente Brasileiras não é incoerente?
Observar que para mandar as peças prontas temos que comprar (importar) pérolas.
Aproveitando esta oportunidade envio-lhes a frase abaixo, atribuída a Andrea Branzi, que
nos foi passada durante o curso de Pós Graduação em Design de Jóias, cadeira de
Metodologia Projetual, Universidade do Estado de Minas Gerais.
"O design não reside nos produtos acabados, mas no ato de fazê-los. Não no
resultado, mas no processo."
Andréa Branzi
Agradeço mais uma vez a atenção que me dispensaram, na esperança de ter
conseguido passar ao IBGM o ponto de vista correto e suficiente para que possam
devolver-me respostas mais consistentes.
Peço-lhes que considerem minhas palavras como uma crítica as regras deste concurso
e não ao órgão.
Atenciosamente,
Lenise Muniz
Designer de Jóias
Não podemos confundir design de
jóias com desenho de jóias.
O design compreende o projeto, a execução e o produto. O participante não tem que
somente representar a jóia no papel e sim executá-la de forma satisfatória. É notório
alguns problemas passados com desenhos que não puderam ser excutados, e outros que quando
feitos não se aproximava do projeto. Também é fato que este é um problema da
capacidade julgadora dos jurados, mas essa é uma outra história...
Concordo com a mudança nas regras do concurso. A alta qualidade do desenho antes
'exigida' limitava a participação em pessoas que fizeram cursos de desenho de jóias,
com apuradas técnicas de coloração e perfeição no traço, excluindo na maioria das
vezes experientes profissionais, criativos artistas, artesãos joalheiros por não terem a
habilidade no desenho. Acho justo o julgamento ser baseado no produto final, no caso a
jóia. um concurso como o do IBGM sendo o único no gênero no Brasil deve estar aberto á
todos, designers, estudantes, artesãos e artistas deveria haver uma categoria
estudantes ou novos talentos onde o participante possa competir com o desenho, se este
não tiver condições em executar a peça é necessário estimular o novo profissional,
desta maneira o mercado cresce e as oportunidades também.
virginia moraes
Ao IBGM,
Estive vendo o regulamento do concurso de Design de Jóias 2002 e, até alertada por
outros profissionais da área de design, me surpreendi como eles, pela apresentação de
peças e não de desenhos para participação na seleção do Concurso.
Entendo que a maioria dos nossos "designers" não desenham. IO que já é uma
distorção do conceito do Design em si no nosso mercado. Lembrando que o significado em
inglês é "desenho a partir do qual alguma coisa pode ser feita" Mas não seria
interessante que o IBGM como orgão oficial sacramentasse essa idéia.
Eu, por exemplo, sou designer, não sou Joalheira. Gostaria até de ser. Até posso
executar peças em bancada, mas não desenvolvi essa habilidade ao ponto de assim me
considerar.
Hoje, por formação e em função mesmo de projetos que surgiram, crio, desenho e projeto
peças para indústrias ou para clientes exclusivos.
Fazer uma peça, executá-la em bancada faz de nós joalheiros, ourives e não designers.
E temos brilhantes joalheiros, artistas plásticos, exímios artesãos.
Geniais em suas criações de pura arte.
Acho que então seria melhor dar outro nome ao Concurso, como PrêmioIBGM de Criação
Joalheira ou de Jóias, assim teriamos um conceito que abrangeria todos esses campos de
trabalho com jóias.
É preciso entender que são trabalhos diferentes. O designer projeta, entende uma peça
como um produto, vê sua criação em função de um público, de um mercado, de um
processo produtivo...precisa conhecer a produção e tudo que a envolve para saber se o
que está propondo é viável ou não, principalmente considerando a produção
industrial.
O joalheiro, entendido aqui como o profissional que executa a peça, não necessáriamente
vai criar para a indústria, não há o comprometimento com a produção em maior escala e
com o mercado. Não tem que necessariamente ser comercial.
Então é aqui que os dois trabalhos se separam.
Não entender isso, está criando um desentendimento no nosso setor, onde hoje muitos
industriais já nem suportam ouvir falar em designers. E isso é fato.
Comprometeram o mercado em nome de um status ou falso glamour do nome
"designer". E isso só nos empobrece culturalmente. Era preciso conhecer e
entender o conceito do nome "Design".
Conhecer a Escola que o introduziu no Brasil, a ESDI, Escola Superior de Desenho
Industrial, fundada nos anos 60 no Rio, pioneira no ensino de \Design no Brasil, com o
mesmo currículo da Escola que a inspirou, a Bauhaus, alemã, pioneira também que foi na
criação e na técnica voltada para o produto industrial, no então recente mercado de
peças e produtos nascidos da Revolução Industrial. Entender então o porquê do design
alemão ter influenciado tão vivamente o desenho moderno. E entender o porquê desse nome
ter sido dado a esses profissionais.
Por isso, designers não são apenas estilistas ou criadores.
O conceito de Design em sua origem está basicamente voltado para a industria. Não apenas
à criação ou a forma. Muito menos apenas às tendências de moda. É tudo isso e um
pouco mais. Design é processo, é projeto.
Gostaria que o IBGM pensasse nisso em um próximo Concurso. Precisamos mostrar ao Brasil e
à indústria brasileira do que estamos falando, sob o risco de estarmos nos distanciando
do resto do mundo, falando uma outra língua, porque, afinal, só no Brasil um designer
não desenha.
Engracia Loureiro Llaberia
Desenhista Industrial, pela ESDI
Comunicação Social / Arquitetura / Designer de Jóias
filiada a ADOR, Associazione Designers Orafi, de Milão, Itália.
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