Discussão

Boa Tarde,
Gostaria de saber se a preocupacao com o meio ambiente faz parte do universo da joalheria, faco um curso na escola Arte Metal mas, nao pude perguntar sobre isto ainda.
Tenho duvida com relacao aos materiais usados, como por exemplo ouro e pedras preciosas brasileiras, se a extracao hoje em dia, ainda agride o meio ambiente.
Ouvi falar numa joalheira Gerda Monies, que so trabalha com materiais que estejam de acordo com a Convencao de Washinton sobre vida Selvagem, gostaria de saber se tem a ver com chifres e ossos de animais.
Agradeco desde ja,
Rosana Dell Angelica

Estamos encaminhando seu email para a lista de discussão.
Os concursos sempre restringem o uso de marfim e tartaruga nas inscrições das jóias.
Porém mineração e extração são incompatíveis com a não agressão do meio ambiente. Não sei o que tem sido feito para controle da degradação, mas vamos descobrir.
Vamos esperar muitas opiniões.


Abri a página www.jóiasdo brasil.com/discussao/meioambiente.htm   para colocar sua pergunta e as respostas.
CrisKOlá! Eu penso que vivemos uma situação alarmante com as extrações de todo tipo de material que
a terra possa produzir. O homem, movido pela ganância não se preocupa com nada; e, sem
dúvidas com o aumento da população e a avidez do ser humano esse é um assunto muito sério.
Abraços Vilma Tomé Angelieri - Paisagista. escritora, e designer.


A utilização de materias ecológicos, esta ligada diretamente ao nível cultural. Você temas informações do que é proibido e deve ser preservado e utiliza e as pessoas compram é puramente cultural. É dever de todo artista plástico procurar trabalhar com materias que não poluam,e nem extermine com a natureza. Cabe a cada um procarar analisar as suas propostas para não incorrer nesta questão.
Marivaldo Pimentel


Olá Rosana,
Eu também participo da escola de jóias Arte Metal e tenho um trabalho consciente a respeito do meio ambiente. As minhas peças são elaboradas com material reciclado de placas de computador e prata. No curso, surgiu a discussão a respeito da extração de alguns materiais e uma resposta importante foi a seguinte: a prata vendida na escola é uma prata ecologicamente correta pois é recuperada de chapas de raio-x e de alguns tipos de pilha. Esta prata é prata 1000 como outra qualquer e a grande vantagem é que ela foi recuperada, reciclada, de uma chapa de raio-x e dos líquidos do processo de revelação destas chapas. Isto acontece basicamente através de um processo eletrolítico que separa a prata de outros materiais...Maiores detalhes o fornecedor desta prata poderá lhe informar.
Esta discussão sobre como lidamos com o meio ambiente, como devemos agir, o que devemos usar para compor as nossas jóias é um assunto profundo e que merece muito debate, pois é uma consciência que deve estar presente na joalheria, na arquitetura, na arte, na moda...No nosso dia dia.
Eu venho desenvolvendo a jóia cibernética há cinco anos e a maior intenção deste trabalho é estimular as pessoas para refletirem sobre o assunto, mostrando que com criatividade podemos propor sempre alguma nova solução. Vamos continuar debatendo este assunto...
um abraço Mariana Brasil  Arquiteta e designer


Joalheria e Meio Ambiente ... Uma boa pergunta. Resposta um pouco mais complicada.
Vamos partir do princípio que você tenha um pedaço de marfim e resolveu realizar uma jóia com isto, vale também tartaruga, coral, ébano, âmbar, madre pérola etc.
Terá restrições dos defensores do meio ambiente. E das grandes. São capazes de compara-lo a alguém que tenha ido à África ou as Galápagos assassinar os bichos a sangue frio, ou destruir florestas e celenterados (os corais são isto aí mesmo) só para fazer um jóia.

O que existe de marfim e tartarugas atualmente foi retirado de elefantes mortos há séculos e dá para fazermos toneladas de jóias. Digo o mesmo quanto aos outros materiais. Tive uma vez uma jóia de minha autoria barrada numa exposição porque tinha marfim. E tinha, e do bom.

Mostrei aos dirigentes da mostra a fonte de onde vinha o material, não o fantasma de um elefante, mas sim duas bolas de bilhar antigas (eram de marfim, mesmo, não existia plástico na época em que foram feitas) que havia adquirido num antiquário. Relutaram, mas acabaram aceitando. Os outros materiais especificados seguem por aí, leques antigos, aquele prendedor de cabelo de tartaruga da bisa, teclados de piano trocados pelos de plástico, e daí segue a enorme lista.
...... é fato conhecido que as grandes diamantíferas sepultam em abismos marinhos, previamente mapeados, e arquivados para posterior: yes recuperação, se necessário for, 70 % de sua produção pois, se colocassem no mercado toda a produção, esta pedra perderia 70% do valor que possuem agora. Dá no que pensar...

Da mesma forma como proíbem o uso destes materiais, já vendidos e incorporados a um patrimônio, incentivam, cada vez mais, o uso de diamantes*, ouro, pedras preciosas, prata e, pasmem, pérolas. Tudo isto não só é permitido como encorajado e instigado com concursos e exposições. Como se a retirada do ouro, da prata e das pedras, não agredisse a natureza, destruindo com as aluviões os cursos dos rios, impregnando de mercúrio todos os arredores, habitantes e animais. Porque produzem um artigo ainda não vendido - e é preciso faturar alto -, o meio ambiente neste caso é totalmente esquecido.Vejam o que fizeram na Serra Pelada e na África do Sul. Só para terem uma idéia mais recente. Ouro Preto está afundando, pois existe uma mina de ouro no subsolo que retira a terra para encontrar ouro, todo mundo já gritou, até a Unesco, mas a mina continua trabalhando, e a cidade, com todas as suas preciosidades, afundando. E não falei dos trabalhadores das minas, pobres seres humanos (não são elefantes nem tartarugas) que realizam este trabalho sub-humano. Ninguém se levanta para defendê-los; e ainda não falei das pérolas que, afinal, devem ser parentes dos corais e exploradas de forma indigna, agora muito mais do que no tempo que se matava elefante para fazer teclados, tartarugas para pentes, e baleias para fornecerem óleo para reclamar de jóias realizadas com estes antigos materiais já incorporados é uma maneira de pressionar para a aquisição dos recém produzidos. Podemos usar até acrílico, poliésteres, muito mais nocivos ao meio ambiente do que os outros, mas estas produzem divisas. Por isto a permissão e o incentivo.
Caio Mourão


Cara Rosana,
Aqui que vos passa este e-mail é um especialista da área, pois sou geólogo, gemólogo, mestre em
recursos naturais, e doutor em tratamentos de gemas, também sou um dos autores do livro gemas de
Minas Gerais lançado recentemente pela Sociedade Brasileira de Geologia e que certamente seria uma
boa leitura para aqueles interessados em saber um pouco mais sobre as gemas.
A sua pergunta é muito interessante, porém não se deixe influenciar por respostas rápidas e
incompletas de quem não entende do assunto. Na verdade, toda e qualquer exploração mineral de
grande e pequeno porte possui um grande controle ambiental feito pelo DNPM- Departamento Nacional
de Produção Mineral.
No que se refere a exploração de grandes reservas de gemas realizadas por grandes empresas este controle é sem dúvida muito rigoroso. No entanto no Brasil, existem poucas empresas de grande porte explorando gemas, as que existem posso lhe garantir, estão credenciadas perante ao DNPM, são
principalmente empresas que exploram determinados tipos de gemas como o diamante, esmeralda, e topázios (imperial e incolor) e em alguns casos o mineral quartzo.
Como nem tudo são flores, Infelizmente o controle de lavras garimpeiras de gemas, este sim,
é realizado com certas dificuldades, devido as suas localizações e o seu tamanho diminuto. É o que acontece por exemplo, nas margens do rio jequitinhonha, onde seu assoreamento é grande devido principalmente a atividades garimpeiras de extração do diamante ocorrido durante décadas.
Vale lembrar que a extração de gemas é muito pequena quando comparada com a extração de
minério de ferro e ouro. Estes sim, têm e devem ter sempre um controle redobrado quanto a sua influência no meio ambiente, pois são atividades mais degradantes, ou seja, de grande impacto ao meio ambiente. Hoje em dia, são aplicada multas altíssimas a qualquer dano ao meio ambiente, e ninguém quer pagar este preço, daí a importância do especialista em meio ambiente em grandes empresas de mineração na atualidade evitando certos constrangimentos.
Para acrescentar ao seu conhecimento, as gemas coradas Brasileiras são oriundas de rochas
conhecidas como pegmatitos, estas por sua vez não ultrapassam 300m em extensão, daí a dificuldade de encontrá-los e de se instalar grandes empresas explorando estes pequenos corpos.
Espero ter respondido a sua pergunta, Maurício Favacho
(Geólogo, Gemólogo e Especialista em Tratamento de Gemas)


Infelizmente no mundo de hoje é hipocrisia pensar que se pouparmos a tartaruga e o elefante da morte estamos sendo 100% ecologicamente corretos.
As únicas pessoas que coseguiriam ser assim seriam os índios ( do passado, é claro).
Gosto muito dos animais e sou a favor da preservação das espécies, mas não podemos esquecer do fato que se uma grande empresa lucrasse com o uso destes materiais, com certeza não estaríamos discutindo este assunto.  Elenice Passos. Arquiteta e designer.


Olá Rosana,
Também sou da Arte Metal e também me preocupo com a preservação da Natureza. Além da joalheria, trabalho com a energia das pedras. Tenho dois pensamentos com relação a esta discussão: primeiro que nós seres humanos, somos formados dos mesmos elementos que as pedras, os vegetais, os animais (de maneira bem simplista, temos silício, cálcio, magnésio e tudo o mais em nossa composição, só que em condensações diferentes.) O fato de termos nos afastado tanto da Natureza, acho que de alguma maneira nos deixou um pouco fora dessa consciência e conexão com o Todo de que fazemos parte. E essa necessidade e procura pelas pedras e metais (muito mais antigos que a gente e com muito mais registro de informações) me parece ser um retorno do ser humano para um contato maior com a Natureza, consigo mesmo e com o sagrado, que é o milagre da vida em tudo o que existe. Hoje sabemos muito de tecnologias e muito pouco da nossa própria natureza. Perdemos a nossa ligação com a Mãe Terra. E é dela que vem o meu segundo pensamento e a minha liberdade consciente e respeitosa de usar as pedras e os metais em minhas jóias: nunca ouvi falar de que alguma espécie do reino mineral estivesse em extinção (estou enganada?). Isso porque a Mãe Terra, embora tão judiada, maltratada e desrespeitada pelos maiores predadores do planeta que somos nós, continua nos suprindo nos provendo de tantas maravilhas. De qualquer forma acho super importante esse tipo de alerta e discussão que você provocou. Precisamos estar conscientes de tudo o que fazemos. Precisamos ter intenção clara e saber que tudo o que fazemos causa um impacto no outro e no todo.
E como a Natureza é sábia, quem sabe nosso trabalho fazendo jóias, colocando as pessoas em contato
com as pedras e os metais, não seja a nossa missão de ajudar a expandir essa consciência da necessidade de reciclagem e de respeito por tudo o que existe. Acho que o reino mineral nos ajuda a evoluir desenvolvendo tecnologias maravilhosas (chips, lentes etc,etc) e a pureza do belo através das jóias. Dependemos deste reino para evoluir, assim como precisamos do reino vegetal para a cura de muitas doenças. Denise Cordeiro - publicitária e designer de jóias
. Denise


ROSANA DEL ANGELICA
TRABALHAMOS DE ACORDO COM A LEI, E DE ACORDO COM A DETERMINAÇÃO DO
DNPM (DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUÇÃO MINERAL) UMA VEZ QUE NAS
ATIVIDADES MINERAIS DESSA EMPRESA NÃO SE UZA QUAISQUER TIPO DE
POLUENTES. COLOCAMO-NOS A DISPOSIÇÃO PARA OUTROS FORUM DE DEBATES
ATENCIOSAMENTE    MTA MINERAÇÃO LTDA

 

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